Pronto. Missão cumprida. A candidata do PT, Dilma Rousseff, posou para fotografias ao lado do presidente da França, Nicolas Sarkozy. E cumprida com louvor. Recebeu beijos na despedida de um encontro de 25 minutos no Palácio do Elysée, em Paris, solicitado pela candidata. Mas os marqueteiros de Dilma queriam mais. A entrada no interior do palácio do cinegrafista que a equipe da candidata leva a tiracolo na turnê promocional pela Europa. O objetivo era registrar o encontro de Rousseff com Sarkozy para o horário de propaganda eleitoral. O protocolo presidencial francês brecou a idéia.
Houve quem desejasse saber o que foi tratado no encontro imediatamente antes da sessão fotográfica e pelo qual Dilma classificou de “muito bom, muito gentil”. A candidata gastou um minuto e cinqüenta e dois segundos relatando platitudes. Um raro momento onde o discurso reflete exatamente o que aconteceu. Em uma palavra: nada. Antes de ser convidada gentilmente a deixar o pátio devido à chegada de um outro visitante, o chefe da igreja maronita libanesa, patriarca Nasrallah Boutros Sfeir, sobrou tempo para perguntar sobre a compra dos 36 Rafales franceses para a Força Aérea Brasileira (FAB) .
O maior gasto militar da história do Brasil — 12 bilhões de reais — não poderia estar fora da conversa entre a eventual presidente do país com Sarkozy. Embora fosse como apostar na vitória da Espanha contra a Suíça, a zebra desfilou a seu modo não só na Copa mas também na capital da França . “Não tratamos do assunto”, disse a canditada do PT. Mais cedo, Dilma recebeu o apoio à sua candidatura da principal adversária de Sarkozy, a secretária-geral do Partido Socialista francês, Martine Aubry. O que é perto de nada.
Fora do roteiro, o brasileiro José Tadeu, ligado ao PT de Brasília, apareceu em frente ao hotel cinco estrelas Champs Elysée Plaza onde Dilma se hospedadou. No momento em que a candidata do PT despedia-se de Aubry, em mais uma sessão de fotografias, Tadeu começou a gritar em português: “Sarney é igual a Hitler, Sarney é igual a Hitler, aqui é a França.” Dilma reganhou rápido sua suíte. Atônita, Martine Aubry quis saber quem era Sarney?
09/02/2010
às 8:34 \ FrançaViva o contribuinte brasileiro!
Exportações de armas francesas
As olimpíadas Rio 2016 nem começaram, mas a França quebrou um recorde. A razão não é o bom desempenho dos seus atletas, mas sobretudo a formidável generosidade dos contribuintes brasileiros que pagam impostos ao governo Lula – a despeito deles, diga-se en passant. Devido às encomendas militares nacionais – 4 submarinos e 50 helicópteros – a França chegou à marca histórica de 8 bilhões de euros em vendas de armamentos no ano passado — um aumento de 21% em relação a 2008. O país deverá subir ao pódio em este ano quando concluir a venda dos 36 aviões de combate Rafale ao Brasil, tornando-se o terceiro maior exportador de armas do mundo. O Ministério da Defesa francês estima que irá vender entre 10 e 12 bilhões de euros em armas em 2010 (veja o gráfico), mais da metade só para o Brasil.
04/02/2010
às 10:45 \ Brasil-FrançaAções da Dassault dão salto olímpico
Se no lado francês adotou-se o mutismo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o preço do Rafale, o mais caro entre os 3 caças concorrentes, é apenas um elemento “componente”. Quanto ao relatório da FAB, elaborado pelo Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronaves de Combate), que apontou o sueco Gripen NG como a melhor opção, Jobim disse foram usados “parâmetros que não coadunam com a Estratégia Nacional de Defesa.”
22/01/2010
às 16:20 \ Brasil-FrançaRafale, caiu a ficha
A licitação sobre o reaparelhamento da FAB, a compra de 36 caças do projeto FX-2, seguia naturalíssima como águas que correm para o mar. Lembrava um passeio no pomar. O blog De Paris não tem a pretensão de considerar a relevância dada ao assunto aqui como o único responsável pela tomada de consciência de tema que por si só sempre mereceu mais atenção alhures. Trata-se da maior compra militar da história do Brasil cuja conta será paga pelo contribuinte durante os próximos 7 mandatos presidenciais.
Mas foi aqui sim que se afirmou pela primeira vez que Lula tinha feito sua escolha pelo Rafale – julho de 2009. Alguns ainda casam a evidência com verbo no condicional. Foi aqui sim, e pela primeira vez, que se ressaltou o desrespeito por regras básicas de uma licitação. Nunca neste país o resultado de uma concorrência foi tão descaradamente anunciada antes do encerramento. Foi aqui sim que se descobriu a estadia de parlamentares brasileiros em Paris pagas, na sua maior parte, pela Dassault, fabricante do Rafale. Foi aqui sim que se revelou que o “deslocamento a Saint Emilion”, como constava na agenda oficial de Nelson Jobim, era jantar do ministro da Defesa no castelo da família Dassault.
E aqui não se escreveu com menos profundidade sobre o assunto do que em qualquer outro espaço da imprensa brasileira. É fácil de constatar que, na maioria dos casos, o empenho foi bem maior.
Nota-se agora uma correria para tirar o atraso da falta de atenção inicial. Tudo bem, antes tarde do nunca. No entanto, é prudente ter cuidado para não tropeçar. A partir de um despacho da agência Indian Express – circula na internet desde abril de 2009 – deduziu-se ter chegado a uma espécie de descoberta da pólvora.
A noticia dá conta da eliminação do Rafale na concorrência para compra de 126 caças para a Força Aérea Indiana (IAF) no valor global de 10 bilhões de dólares. Pegou-se 10 bilhões e dividiu-se por 126 para chegar a 73,34 milhões de dólares o preço de cada caça. Concluiu-se que o preço do Rafale saía pela metade do que a Dassault está oferecendo ao Brasil.
Os 10 bilhões de dólares é uma estimativa de um valor que o próprio Ministério da Defesa da Índia afirma que não foi definido. A Dassault lembra, com razão, que o preço varia em função do volume do estoque de peças de reposição, do tempo do apoio logístico e das especificações do caça exigidas pelo comprador. As especificações da FAB não são as mesmas que as da IAF. A eliminação inicial do Rafale da concorrência não foi, ainda segundo a India, em razão do preço, mas por não cumprir especificações técnicas. A Dassault poderá voltar à licitação desde que atenda as especificações. O Rafale com preço equivalente ao proposto na licitação brasileira perdeu concorrência o para o F-16 (Lockheed Martin) no Marrocos e na Coréia do Sul para o F-15 (Boeing).
Mas o dobro não é muito? Dobro? A proposta de Nicolas Sarkozy a Lula é que o Brasil pague o mesmo que a Aeronáutica e Marinha francesa pagaram pelo Rafale – a única referência de preço pago Rafale até hoje. Ou seja, entre 64 e 70 milhões de euros. O preço está documentado noLivre Blanc, no Senado francês. No entanto, estima-se que o Rafale vai custar em torno 96 milhões de euros para o contribuinte brasileiro.
Portanto, a diferença de preço não está na concorrência indiana cujos dados são vagos, mas entre o que a França pagou e o que o Brasil irá pagar. Ou seja, entre a promessa de Sarkozy e a conta da Dassault. Adicione à equação o elemento que não mudou, o Rafale é mais caro que os seus dois outros concorrentes, o F-18 Super Hornet e o Gripen NG.
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